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30
Agosto/2015
A depressão como uma oportunidade...
Postado por: Sandra M K Sasaki Categoria: Blog

 

A depressão existe, e nem sempre é percebida. Ela é considerada pela OMS como a doença mais incapacitante do mundo, e precisa ser levada a sério.

 

Quantas vezes não nos vemos morrendo aos poucos por dentro? Vem aquela sensação de que estamos andando em círculos, ou que estamos subindo e subindo uma montanha, mas nem lembramos mais dos motivos de tanto sacrifício. Outras pessoas descrevem a depressão como um vazio profundo, como quando caímos num poço escuro e frio, e nos vemos sozinhos, sem luz... e nada mais faz sentido.

 

Muitas vezes a depressão surge após a perda de algo ou alguém: perdemos pessoas queridas,  perdemos um emprego, uma família estruturada, a saúde, um amor, uma amizade... outras vezes, a depressão pode estar permeando a vida desde a infância, quando percebemos que nem tudo é como nos contos de fadas. É triste acompanhar crianças deprimidas, pois elas carregam no peito a insegurança de terem que depender do outro para sobreviverem... e mais triste ainda é perceber que dentro do adulto pode haver uma criança pedindo ajuda, por anos e anos, gritando por socorro.

 

Quando este sentimento de tristeza profunda afeta nossa alma, por mais doloroso que seja, é melhor olhar para ela... olhar com cuidado, com carinho, com amor. Olhar para partes de nós mesmos e tentar entender o que nos chama para dentro. Por que estamos sentindo isso? O que há de errado? Estamos morrendo por dentro, ou queremos apenas eliminar partes de nossa vida que já não servem mais?

 

E é ai que as transformações podem acontecer... a depressão pode ser uma oportunidade. Uma oportunidade de tentar ser diferente, de encontrar novas respostas para velhas perguntas, de olhar o que nos aflige, de encarar os nossos medos, de rever tudo que fizemos até hoje. Ela pode ser um sinal de que precisamos continuar nos desenvolvendo... é a alma tentando encontrar um novo sentido, um novo caminho. 

 

Alice Miller, uma psicóloga polonesa expert em psicologia da infância nos conscientiza: "A libertação da depressão não leva a uma alegria ininterrupta ou à ausência de sofrimento, mas à vitalidade, ou seja, à liberdade de viver espontaneamente os sentimentos que afluem. A diversidade da vida faz com que não sejam sempre "para cima, bonitos e bons," mas também representem toda a escala da experiência humana, como a inveja, ciúme, raiva, indignação.[...] quando temos acesso ao nosso verdadeiro "self" não precisamos mais temer o universo de sentimentos de nossa infância. Depois de experiência-lo, não nos é mais estranho e temido. Torna-se conhecido e confiável, e não precisa mais ficar escondido atrás do muro da prisão dos sentimentos. Sabemos quem e o que nos oprimiu e confundiu, e exatamente esse conhecimento nos liberta. Livres, inclusive, de velhas dores"

 

Miller, Alice. O drama da criança bem dotada: como os pais podem formar (e deformar) a vida emocional dos filhos. 2 edição. São Paulo: Summus, 1997.

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